Balbina Mendes As máscaras e o desassossego — Vox Pop
Balbina Mendes é uma pintora transmontana, natural de Malhadas, Miranda do Douro. Recebeu-nos no seu atelier em Vila Nova de Gaia. A vista para o Douro e para o Porto antigo não a distraem do seu mister e, entre dois dedos de conversa, espreita a tela pelo canto do olho não resistindo a mais um retoque num quadro dado por concluído. “Às vezes tenho de os levar daqui, caso contrário não consigo parar”, confessa.
Em dia feriado, 25 de Abril, com música clássica em som de fundo, falou-nos do seu mais recente trabalho - “Máscaras Rituais do Douro e Trás-os-Montes”, em itinerância desde 2009. Ao transpor para a tela, com o seu rigor naturalista, esse mundo conhecido e desconhecido, provocador, garrido e mordaz das máscaras transmontanas, Balbina Mendes revela-nos um universo de magia e de obscuros rituais, cujas origens se perderam no tempo.
“Tive a sorte de nascer e crescer neste universo, onde o natural e o sobrenatural, o sagrado e o profano se misturam. E nos contagiam”. E nós percebemos, naturalmente, que este tema continua a desassossegar-lhe o espírito criativo.
Com este seu trabalho, também registado em livro, Balbina Mendes tem contribuído para a divulgação de tradições culturais tão ricas como os carochos, os caretos e a Festa dos Rapazes, que ainda hoje se cumprem em terras transmontanas.
As suas máscaras continuam “provocadoras” e a percorrer o país com a sua expressividade e riqueza cromática, bem precisas nos dias que correm. A próxima paragem é no Museu do Trabalho, em Setúbal, até 30 de Junho, seguindo-se Évora, Coimbra e Penafiel. Mais informações em balbinamendes.com
— foto: Miguel Gonçalves






